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Monday, 16 January 2017

Eternamente

"Como tantos outros, procurei sempre encontrar um significado mais grandioso, ou simplesmente mais humano, para aquela linda frase de que morrem jovens os que os deuses amam.

Não sei a resposta: desisti há muito de entender os deuses, de achar um significado para a desordem instaurada pelo divino. Sei apenas, no que aos homens diz respeito, que ficam eternamente jovens os que morrem jovens.

... como nunca mais te vi, ficaste assim para sempre, com aquela idade, com aquela felicidade, eterna..."

Miguel Sousa Tavares, No teu deserto

Saturday, 15 June 2013

"A vida só pode ser compreendida, olhando-se para trás; mas só pode ser vivida, olhando-se para a frente."
Soren Kierkergaard
 
 

Thursday, 6 June 2013

Divagações

E se os dias tem estado bons, os fins de tarde tem estado ainda melhores.
Hoje na viagem de regresso depois de ter ido levar a M. ao Karate, deixei o pensamento voar até a um passado distante e relembrei com um misto de saudade e alguma nostalgia aqueles entardeceres quando ainda viviamos em Portugal e eu fazia mais de 180 km por dia  para ir levá-la  ao Club de Inglês, no Parque das Naçoes, em Lisboa. Assim que entrava na Ponte Vasco da Gama acelerava até ter o Tejo e a magnifica paisagem de Lisboa no meu horizonte. Depois abrandava e curtia o fantastico pôr do sol que sempre vislumbrava por detras dos altos edificios. Naquela altura, a M. tinha 4 ou 5 anos  e queria muito aprender a falar inglês para poder vir ter com o Papá, que já se encontrava a trabalhar na Inglaterra e que a M. via todos os dias "dentro" do computador...
E isto hoje porquê?
Porque recebi boas notícias!
Na caixa do correio, estava uma carta da escola da M. a dar-lhe os Parabéns pelo excelente desempenho no final de mais um ano escolar. Quaisquer que fossem os nossos receios iniciais em relação à sua adaptação a este nosso percurso de vida, e sua respectiva aprendizagem  não tinham razao de ser, já que ela parece continuar a dedicar-se às suas actividades com o mesmo gosto e garra que demontra desde pequena.
Esta semana começou o 9º ano. Ainda não me habituei. Embora me pareça um pouco estranho este método, compreendo que facilite bastante pois quando voltarem das férias em Setembro já conhecem os Professores, os novos colegas e começam logo a trabalhar com afinco e  energia redobrada.

 

Sunday, 13 May 2012

Midnight in Paris



Tive finalmente a oportunidade de ver o filme "Meia-Noite em Paris". Já o tinhamos a algum tempo mas por uma ou outra razão era constantemente adiado. Tinha lido alguns reviews menos favoraveis. Mas pessoalmente gostei muito. Gostei de poder regressar a Paris, gostei do enredo, das personagens e gostei sobretudo da mensagem. Recordei então as sábias palavras do Edson Athayde, sobre o mesmo :

"É duro sentir-se contemporâneo do pretérito. Fazemos isso um pouco todos os dias quando recordamos da época em que o mundo era mais calmo, que a vida era bonita,...

Temos a mania de hiperbolizar as coisas boas do passado. O mesmo que fazemos com as coisas más do presente. Num caso, como no outro, exageramos."



Sunday, 6 May 2012

Porto

International Slavery Museum - Liverpool


























No entanto...
Mesmo estanto fisicamente longe é impossível ficar indiferente ao passado, às nossas gentes, à nossa música, às nossas raízes!

Wednesday, 25 May 2011

Um dia....

"Memories wash over you like a tremendous wave. Take this opportunity to write everything down, while the images are clear. You can turn these scenes into a powerful story or memoir."

Thursday, 13 January 2011

Saudades da Vida

Uma ocasião uma jornalista perguntou a Vinicius de Morais se tinha medo da morte.

O poeta respondeu com um sorriso:

- Não, minha filha. Tenho saudades da vida.



De tempos a tempos esta frase de Vinicius regressa-me à ideia. Penso: de que terei saudades, eu? Maça-me morrer porque se fica defunto muito tempo. Estou certo que o meu pai anda chateadíssimo no cemitério, sem livros, sem música, sem oportunidades para ser desagradável. O meu avô, tão diferente do filho, já deve ter feito montes de amigos por lá, todos a comerem percebes à volta de uma mesa grande. E o meu tio Eloy joga às cartas com os outros, a sorrir de satisfação quando lhe saem naipes bons. Costumava inchar na cadeira, a olhar para eles, repetindo

- Muito bem, senhores oficiais

da mesma maneira que, se as coisas corriam mal, se lamentava

- Há muitos anos que sou beleguim e nunca vi uma coisa assim


e vejo-o daqui, sem uma prega, elegantíssimo. A minha tia Madalena lê livros grossos, a minha tia Bia ensina piano e eu sinto medo de não haver papel, nem caneta, nem amigos, nem mulheres. Mas, voltando a Vinicius de Morais, de que terei saudades? De acordar de manhã, no verão, rodeado de cheiros que zumbem? Do mar em Vila Praia de Âncora? Dos cães ferrugentos de Colares e dos seus olhos lamentosos? Da Beira Alta? Da Beira Alta sem dúvida, e do juiz que se gabava de parar o pensamento. Dos gatos que ao fecharem os olhos cessam de existir e se transformam em almofadas de sofá? Da minha filha Isabel ao levá-la a um museu para lhe encher de amor pela beleza os tenros neurónios:

- Estás a gostar?

- Acho um bocado aborrecente

e não tive coragem de dizer que também acho os museus um bocado aborrecentes. Não ligava muito aos quadros, ou antes não ligava um pito aos quadros mas, na época de eu criança, havia escarradores cromados, a cada dez telas, que me interessavam muitíssimo. O problema é que nunca soube cuspir em condições. Ainda hoje não sei cuspir decentemente e, não estou a brincar, envergonho-me disso. No transporte para o liceu sempre admirei os cavalheiros que tiravam um lenço muito bem dobrado da algibeira, o abriam numa lentidão preciosa, puxavam a alma dos pulmões, depositavam-na no lenço num gorgolejo de ralo, competente, profundo, examinavam a alma com satisfação, tornavam a dobrar o lenço e faziam o resto do trajecto com ela nas calças. Talvez seja por isso que nem lenço uso: quando me acho fungoso luto comigo mesmo para não limpar o nariz na manga: a maior parte das vezes consigo. Vou ter saudades daqueles que se assoam com dignidade e estrondo e dos outros, mais comuns, detentores de um poder de síntese que, desgraçadamente, me falta. Passa uma rapariga e eles, logo

- És muita boa

numa concisão admirável, a acotevelarem um sócio distraído

- Viste?

O sócio já só apanha a rapariga ao longe mas concorda por solidariedade

- Chega o verão e descascam-se logo

e o do poder de síntese remata

- Todas umas putas

que é um ponto final que não admite acrescentos, ei-las catalogadas em definitivo, de modo que se passa aos méritos da cerveja preta que, além de acabar com a sede, é óptima para tirar nódoas, seja na camisa, seja no estômago

- Até limpam as úlceras

limpam as úlceras e amortecem o presunto:

- Se as pessoas mamassem uma preta a meio da tarde ninguém adoecia.


Segue-se a inspecção da sola do sapato

- Olha-me para a porcaria deste buraco aqui

e um discurso acerca das fragilidades e misérias do cabedal. Terei saudades disto? Do senhor da mercearia ao pé de mim vou ter de certeza. Está sempre sozinho na loja, atrás do balcão, educadíssimo. Se lhe comprar um maço de cigarros e disser

- Obrigado

responde de imediato

- Obrigado somos nós

num tom papal, que me leva a imaginá-lo cercado de criaturas invisíveis para mim mas óbvias para ele, uma multidão de espectros sobre os quais reina com benevolência. Tem sobrancelhas grossíssimas que não vão inteiramente com os seus gestos fidalgos. Nunca vi ninguém entrar na mercearia a não ser eu. Mentira: uma ocasião estava lá uma velhota que comprou dois pêssegos, a contar o dinheiro como se estivesse a despedir-se para sempre de um filho único. Lembro-me que fitou as moedas, até elas se sumirem na gaveta, numa ternura que me rasgou ao meio o coração. Depois sumiu-se numa portinha ao lado, com uma pantufa no pé esquerdo e uma bota no direito. O degrau da portinha levou-lhe um quarto de hora a escalar. O senhor da mercearia, esquecido do

- Obrigado somos nós

abriu-me os horizontes

- É a dona Esperança que já foi muito rica.

Foi muito rica e agora um pêssego, uma sopinha talvez, os restos da riqueza no prego. Terei saudades disto, também? Para citar a Isabel a vida, de tempos a tempos, é aborrecente. Será que, há séculos, a dona Esperança muito boa? Será que o marido cuspia em condições? É pouco provável porque o marido, segundo o senhor da mercearia, doutor.

- Doutor de tribunais

especificou ele com admiração

- Doutor de tribunais

escutei eu já na rua. Penso que se o meu tio Eloy visse aquilo comentava

- Há muitos anos que sou beleguim e nunca vi uma coisa assim.

Eu também não, tio, eu também não. E, já agora, quando Vinicius de Morais se referia a saudades da vida em que vida pensava?"



António Lobo Antunes,  Revista Visão
 

Friday, 6 November 2009

Falls





Encontrei num dos caixotes (sim, ainda das mudanças) um CD com algumas fotos da nossa viagem NY-Chicago-Minneapolis-Niagara. Já nem me lembrava que o tinha trazido. Na última foto o famoso Maid of the Mist traz boas recordações.
Que saudades dos meus albuns!

Tuesday, 23 June 2009

S. João

Hoje é véspera de S.João. Noite de febra e sardinha assada. De martelinhos e alho porro. De sair há rua e andar, muito andar. Descer a Avenida em direcção há Ribeira, arranjar um bom lugar para assistir ao fogo na Ponte, de ver os barcos passar...De ir até há Foz e noite dentro ver o mar!

Thursday, 12 February 2009

Quase, Quase...

...de férias!
Sim, porque a semana passada foi cansativa, após 4 dias em casa!
E lá vou eu rumo a Portugal, desta vez para o norte. Vou ao Porto.
Um ano, faz quase um ano que lá estive. Acho que foi em Março.
Lembro-me de ter tido uma semana de sol excelente.
De passar horas sentada na esplanada da Praia dos Beijinhos.
De ver a M. brincar na areia e olhar o mar, o mar que tanta falta me faz....
De usar sandalinha e manga curta, comer gelados, e desfrutar daquela luz !

Friday, 30 January 2009

Azul




Acho que estou numa fase "azul".
Preciso urgentemente de céu azul bébé e mar azul turquesa.
Já chega de tanta escuridão, de ceus nublados e aguaceiros.

Tuesday, 6 January 2009

Frio

É verdade que ver a paisagem coberta de branco é lindo.
Especialmente quando acompanhada por uns sorridentes raios de sol a rasgar o céu azul.
Mas ter de sair de casa com este frio não é para mim. E é nestas alturas que eu me questiono, porque é que não emigrei para um país mais quentinho?
Na nossa familia já todos emigramos: a M(mais velha) emigrou para Madrid e depois para o Brasil, a M (do meio) para Miami e a M(mais nova) para Moçambique. Entretanto o R. que também está em Miami vai regressar há Europa e vai para a Suíça.
Acho que me daria muito melhor de sandalinha e manga curta, a curtir o sol quentinho, e a olhar o mar .....Ai, acho que hoje acordei com saudades do Verão!!!

Saturday, 8 November 2008

Saudades...




Fotos de Lisboa

Num dos emails, que familia e amigos vão mandando, vinham estas fotos.
Quando me perguntam de que parte de Portugal sou, fico sempre na dúvida que resposta dar...
Porto ou Lisboa? Estão ambos no coração!